segunda-feira, 10 de novembro de 2008

HISTÓRIA.






LAVRAS – DA COLONIZAÇÃO AO POVOADO
(Extraído do Livro “Lavras da mangabeira – Um Marco Histórico” de Rejane Monteiro Augusto Gonçalves; e do Livro “São Vicente das Lavras”de Joaryvar Macedo).


No século XVIII (1757), no mês de março, eram encontradas as lavras situadas nos Altos do Garrote, localizadas entre as fazendas Boqueirão de Afonso de Albuquerque, comandante da Muribeca, e a Mangabeira, do Padre Antônio Gonçalves Sobreira, morador em Paratibe. Depois de quase cinco anos de iniciadas as explorações das Minas de São José dos Cariris, foi que teve lugar o descobrimento das Lavras de São Gonçalo, das chamadas Mangabeira, provavelmente, do nome da fazenda pertencente ao Padre Sobreira, e que seus exploradores vieram atraídos pela notícia de que lá havia muito ouro. Em 1758, foi proibida a mineração na capitania, o povoado ficou em absoluta miséria com o seu desaparecimento e seus habitantes que ali permaneceram passaram a recorrer da agricultura e pecuária para se manterem.
Seu nome surgiu da mineração: Lavras; no local: Mangabeira.
Lavras da Mangabeira teve sua origem sócio-religiosa diferente de quase todas as outras. Em geral, as cidades evoluíram de aglomerados humanos, surgidos ao pé de capelas ou casas-de-oração. No caso de Lavras, houve o aglomerado humano, decorrente das Lavras ou da mineração, depois veio à ermida, como conseqüência natural.
Conta à lenda que foi encontrada uma imagem de São Vicente Férrer sob um Juazeiro, no local da atual matriz, por um vaqueiro de Xavier Ângelo (Capitão-Mor da Vila de São Vicente das Lavras e fundador do povoado). A imagem era conduzida para a casa, mas lá retornava, como a indicar que ali deveria ser construído um templo. A data de sua construção é desconhecida. Sabe-se que em 1768, a Capela de São Vicente Férrer, construída ao tempo do Padre Joaquim de Figueiredo Arnaud.
A partir 1758, do Livro III de Registros Eclesiásticos da Freguesia do Icó constam as denominações: “Sítio das Lavras da Mangabeira do Rio Salgado” e “Sítio da Mangabeira das Lavras”. Posteriormente, o lugarejo, já como povoado, foi registrado com variadas designações: Povoação das Lavras da Mangabeira, Povoação da Mangabeira, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira das Lavras, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira das Lavras da Mangabeira, Povoação das Lavras.


FUNDAÇÃO DA VILA
(Extraído do Livro “Lavras da mangabeira – Um Marco Histórico” de Rejane Monteiro Augusto Gonçalves; e do Livro “São Vicente das Lavras”de Joaryvar Macedo).

A Vila de São Vicente das Lavras da Mangabeira está situada nas margens do Rio Salgado, contendo de oitenta a cem casas, todas pequenas e muitas caindo em ruínas. Encontra-se ouro nos arredores, em solo aluvial escuro, pouco abaixo do solo.
O Alvará datado do dia 27 de junho de 1816, entre outras medidas, criou o município, com elevação da Povoação de São Vicente a Categoria de vila sob denominação oficial de Vila de São Vicente das Lavras, terá por termo todo o território da sua freguesia, ficando desde logo desmembrada do termo da Vila do Icó.
Com o advento da vila, desapareceu, o primordial topônimo, Mangabeira. Nos livros de Notas, Autos de Inventários, inicialmente se registrava Vila Nova de São Vicente das Lavras. Em seguida, Vila de São Vicente das Lavras ou Vila de São Vicente Ferreira das Lavras. A partir de 1827, apenas Vila das Lavras.
No dia 8 de janeiro de 1818, em virtude do Alvará de 27 de junho de 1816, foi instalada, oficialmente, em 1818, precisamente aos 8 de janeiro, a Vila de São Vicente de Lavras, tendo sido levantado o pelourinho. Segundo, Tristão de Alencar Araripe, o pelourinho indicava supremacia local. Era sinal heráldico da vila que se erigia, e a população o respeitava e venerava, porquanto assinalava ele nobreza da sua comunidade política. Em Lavras, o pelourinho foi fincado frente à Matriz de São Vicente Férrer.
Da instalação da Vila, muitas poucas eram as ruas de Lavras, conforme Livros de notas e Autos de inventários, onde são freqüentes as referências a casas de taipa com frentes de tijolo. A documentação registra as seguintes:
- Rua dos Alpendres, no começo do século XX ainda havia casas alpendradas, que eram os principais pontos comerciais. Chamou-se, posteriormente, Travessa São Vicente, hoje Travessa Padre Alzir Sampaio;
- Rua do Rio ou Rua da Beira do Rio, recebeu, sucessivamente, as denominações de Rua Municipal, Rua General Paranhos, hoje Rua Cel. Raimundo Augusto. Vulgarmente, conhecida como Rua da Cadeia.
- Rua do Tabuleiro, Possuía calçadas altíssimas. É a atual Rua Major Ildefonso, por muito tempo conhecida como Rua Grande e, também, por Rua do Cortiço, pelo fato de ali estar localizada a casa de Dona Fideralina Augusto Lima, casa, na sua época, muito movimentada, a semelhança de um cortiço ou colméia.
- Rua do Meio, Situada entre a Rua do Tabuleiro e a Rua do Rio. Por muito tempo, foi conhecida como a Rua do Vigário, porquanto nela residia Mons. Meceno Clodoaldo Linhares. Hoje Rua Mons. Meceno.
- Rua da Praia, Ainda hoje assim chamada, até o final da década de 80, oficialmente Rua Santos Dumont, hoje Rua Wilson Sá.
- Beco da Rua da Praia, O declive esquerdo da colina, onde se ergue a Matriz e prolongamento da Rua do Rio.
- Rua do Beco da Matriz, O do lado direito, pequenos imóveis funcionavam como pontos comerciais.
Outras ruas surgiram depois com a construção esparsa dos primeiros prédios, como: a Rua da Umarizeira, atual Antônio Lobo; Rua do Alto, também chamada, outrora, Rua do Piripau, oficialmente, 7 de Abril, depois mudou para D. Hilda Augusto; e a atual Xavier Ângelo, antiga Rua dos Cassacos.
Em 1823, na Divisão Político-Administrativa, o Ceará contava com 18 municípios, dentre eles o de Lavras, que compreendia os territórios dos atuais municípios de Várzea Alegre, Umari, Aurora, Cedro, Ipaumirim e Baixio, conforme dados do Anuário do Ceará, em 1997.
A partir de 1870, Lavras foi diminuindo seu território em face da autonomia de Várzea Alegre, nesse ano, de Umari e Aurora, em 1883, de Cedro, em 1920.


A VIDA POLÍTICA DA VILA DE SÃO VICENTE DAS LAVRAS
(Extraído do Livro “Lavras da mangabeira – Um Marco Histórico” de Rejane Monteiro Augusto Gonçalves; e do Livro “São Vicente das Lavras”de Joaryvar Macedo).

O Município de Lavras foi criado, em 20 de maio de 1816. Lavras sempre teve um papel marcante na história política da Província e, posteriormente, na do Estado do Ceará. Foram os rebentos do segundo Capitão-Mor ( o primeiro Capitão-Mor fora Jerônimo de Sousa Nogueira) e Comandante -Geral da Vila de São Vicente Ferrer das Lavras, Francisco Xavier Ângelo, casado com Ana Rita de São José, os primeiros a se projetarem no município nos campos eclesiástico, judiciário e político: O Padre José Joaquim Xavier Sobreira, que representou sua terra natal na Assembléia Constituinte de 1823, como Deputado pelo Ceará, e seus irmãos Padre Francisco Xavier Gonçalves Sobreira, Padre Cosme Francisco Xavier Sobreira, Padre Cosme Francisco Xavier Sobreira e Manuel Joaquim Xavier Sobreira.
Com o funcionamento da Câmara Municipal, surgiram os legítimos representantes do município, cuja autoridade maior era o Presidente da Câmara, o de maior número de votos dentre os vereadores, que desempenhava funções diversas, tanto no Poder Legislativo, como no Executivo e Judiciário, na função de juiz Ordinário. A qualificação dos eleitores era feita pela divisão eclesiástica, em paróquia ou freguesia, e eram listados eleitores os cidadãos que tivessem uma renda anual superior a duzentos mil réis. As eleições para os cargos locais, ou seja, para juiz de paz e vereadores, eram diretas e na Casa da Câmara se realizavam. Já as eleições para o Senado, Câmara dos Deputados e para Assembléia Provincial eram indiretas, até o ano de 1880, acontecendo em dois graus. Nestas, os votantes qualificados de cada paróquia escolhiam os eleitores (primeiro grau) que elegiam seus representantes para esses cargos (segundo grau).
As eleições para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembléias Provinciais eram realizadas na Igreja, reunindo-se, ali, a Assembléia Paroquial. A partir de 1881, quando todas as eleições passaram a ser diretas, essas cerimônias foram dispensadas.
Em 5 de março de 1829, o Juiz Ordinário Simeão Correia de Araújo Lima, em cumprimento a outro ofício de sua excelência, procede a eleição de sete vereadores da Câmara da Vila de Lavras para o período de 1829 – 1832.

Francisco Gomes Monteiro - Presidente
Bernardo José da Fonseca
Antônio Gonçalves Ferreira
Pedro Vieira da Costa
Antônio Ferreira da Silva
André da Silva Nogueira
José Antônio Carneiro

Assumiram:
Raimundo Guedes do Espírito Santo
Francisco de Sales Lima
José Caetano de Sampaio
João Gomes Leitão
João Carlos Augusto.

Em junho de 1831, o Presidente da Câmara, Francisco Gomes Monteiro, chefia um movimento contra o Vigário Alexandre Francisco Cerbelon Verdeixa, caluniando-o severamente. Em razão disso, era participado o acontecido ao Vice-Presidente da Província, inclusive que Francisco Gomes Monteiro fora demitido da Câmara, junto com o secretário da mesma, Thomé de Lavor, e com o juiz de Paz Antônio Carneiro de Moura. Assume, então, a presidência da Câmara, Bernardo José da Fonseca, o vereador imediato.
Relação de Vereadores eleitos para o período 1833 – 1836:

Tomás Duarte Lima – Presidente
Manoel da Silva Souza
Manoel Francisco Lima
João Carlos Augusto
Pedro Vieira da Costa Júnior
Manoel Ferreira Lima
Joaquim Vieira da Costa

Assumiram:
João Nunes de Almeida
João Bandeira de Melo
José Alexandre Duarte
Pedro Alves Lima
Bernardino da Silva

Composição da Câmara Municipal da Vila de Lavras – 1837 a 1840:

Major Francisco Sales Lima – Presidente
Capitão Manoel Rodrigues da Silva
Manoel Francisco de Lima
Manoel Antônio Pinheiro Torres
José Tomás de Aquino
José Antônio Carneiro
José Joaquim da Silva Brasil

Assumiu:
João Bandeira de melo

De 1841 a 1842:

Bernardo José da Fonseca – Presidente
José Antônio Carneiro
Silvestre de Souza Lima
João Nunes de Almeida
José Felipe Benício
José Pinto da Fonseca.

Assumiu:
João Bandeira de Melo.

De 1843 a 1844:

José Tomás de Aquino – Presidente
José Antônio Carneiro
Francisco de Sales Lima
José de Souza Matos
Tomás Duarte Lima
Manoel Francisco de Lima

Assumiram:
José Felipe Benício
Pedro Vieira da Costa
José Faustino Barbosa de Albuquerque
João Carlos Augusto
João Bandeira de Melo
Francisco Gomes Monteiro.

De 1845 a 1848:

Bernardo José da Fonseca – Presidente
José Felipe Benício
Manoel Rodrigues da Silva
José Antônio Teixeira
Silvestre de Souza Lima
José Joaquim de Souza Brasil
Manoel Francisco de Lima.

Assumiram:
Felipe Benício Mangueira
José Alexandre Duarte
José Pinto da Fonseca
Joaquim Gonçalves da Costa
Vicente Ferreira do Bonfim
Roberto de Souza Mangabeira
Pedro Antônio de Santana
Tomé de Lavor Paz Barreto.

De 1849 a 1852:

Manoel da Silva Souza – Presidente
João Carlos Augusto
Manoel Antônio Tomás de Aquino
Raimundo Correia de Araújo Lima
Pedro Vieira da Costa
José Antônio Teixeira
Joaquim Gonçalves da Costa

Assumiram:
Tomé de Lavor Paz Barreto
Pedro Antônio de Santana.

De 1853 a 1856:

Pedro Vieira da Costa - Presidente
João Clemente Barbosa de Morais
Bernardo Duarte Pinheiro
José Tomás de Aquino
Antônio Rodrigues da Silva
Vicente Gonçalves Leite
Manoel Gonçalves da Silva

Assumiram:
Antônio Joaquim de Souza Rolim
Silvestre Gonçalves
Vicente Gonçalves da Silva
Antônio Gonçalves Sobreira

As eleições para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembléias Provinciais eram indiretas até 1880. A partir de 1881, todas as eleições passam a ser diretas.
Na divisão eleitoral da Província do Ceará, até o ano de 1859, Icó era o 7º Distrito ou Circulo Eleitoral, composto apenas de um Colégio, o Icó, e de 4 Freguesias: Icó, Pereiro, Telha e Lavras. Os eleitores dessas freguesias escolhiam 4 Deputados Provinciais e 1 Deputado Geral. Nesse período, Lavras foi bem representada por seu ilustre filho, Major João Carlos Augusto, que toma assento na Assembléia Provincial nas legislaturas de 1850 a 1851 e de 1852 a 1853. Outro ilustre lavrense, Raimundo Ferreira de Araújo Lima, representa a Província do Ceará como Deputado Geral, por mais de uma vez, nas legislaturas de 1850 a 1852, 1853 a 1856, 1861 a 1864, 1869 a 1872, 1872 a 1875 e 1875 a 1878, filiado ao Partido Conservador Cearense. Este, no Gabinete de 29 de setembro de 1870, ocupa o cargo de Ministro da guerra, no qual se mantém até 21 de maio de 1871. O lavrense Ildefonso Correia Lima exerce mandato de Deputado Provincial de 1886 a 1887.

Composição da Câmara, 1857 a 1860:

Pedro Vieira da Costa – Presidente
Raimundo Correia Lima
Ildefonso Correia Lima
Marcos Cordeiro de Oliveira
Antônio Joaquim de Souza Rolim
Vicente Gonçalves Leite
Felipe de Mendonça.

Assumiram:
Raimundo Tomás de Aquino
Tomás Duarte de Aquino
Henrique Luiz da Silva Brasil
Antônio Martiniano Bandeira.

Formação da Câmara, de 1861 a 1864:

Raimundo Tomás de Aquino – Presidente
Simplício Carneiro de Oliveira
Vicente Ferreira de Araújo Lima
Simplício Carneiro da Silva
Manoel Antônio Sobreira
Vicente Gonçalves Leite
José Maria Freire de Brito

Assumiram:
José Joaquim de Souza Rolim
Antônio Joaquim da Silva
Raimundo Corréia Lima
Antônio Raimundo Duarte
Felinto Alves Cavalcante
Manoel Bernardo Vieira

De 1865 a 1866:

João Clemente Barbosa de Morais – Presidente
Francisco Ferreira Lima
João Francisco de Sampaio
Antônio Pereira de Azevedo
José Bernardino dos Santos.

De 1866 a 1869:

Francisco Gonçalves Dias Sobreira – Presidente
João Clemente Barbosa de Morais
Felinto Alves Cavalcante
Antônio Pereira de Azevedo
José Bernardino dos Santos.
Simplício Carneiro de Oliveira
Raimundo Teles da Cunha.
Francisco Vieira
Francisco Ferreira Lima
Jerônimo Lopes

Em 1869:

Felinto Alves Cavalcante – Presidente
Manoel Bernardo de Oliveira
Ildefonso Correia Lima
Raimundo Gomes de Araújo
Raimundo Carneiro de Oliveira
Benedito Gonçalves
Antônio Ferreira Lima

De 1870 a 1873:

Raimundo Correia - Presidente
Manoel Bernardino Vieira
Antônio Raimundo Duarte
Antônio Pinto Teixeira
Raimundo Teles da Cunha
José Felipe Benício Júnior
Antônio Pereira de Azevedo

Assumiram:
José Antônio do Nascimento
Benedito Gonçalves Sobreira
Raimundo Carneiro de Oliveira
Benedito Gonçalves
Antônio Ferreira Lima.

De 1873 a 1876:

Raimundo Tomás de Aquino - Presidente
Antônio Raimundo Duarte
Valdevino Leite Teixeira
Antônio Francisco Sobral
José Gonçalves Viana
Alexandre José Gonçalves
Raimundo Gomes de Araújo.

Assumiram:
Vicente Gonçalves Leite
André Avelino Nogueira
Ricardo Gomes de Lima
Miguel Bernardo Primo
Antônio Francisco Sobral.

Vereadores eleitos para o quatriênio 1876 a 1880:

Antônio Raimundo Duarte – Presidente
Raimundo Carneiro de Oliveira
Raimundo Gomes de Araújo
Alexandre José Gonçalves
João correia Lima
David José de Lima
Manoel Alexandre do Nascimento.

De 1881 a 1882:

Simplício Carneiro de Oliveira – Presidente
Luiz José Paz Barreto
Vicente Teixeira Mendes
Ildefonso Bispo Salvador
Marcos José de Caldas
André Avelino Nogueira
Joaquim Fernandes de Oliveira.

Assumiram:
José Moreira da Silva
Vicente Teixeira Mendes
Francisco Ferreira Lima.




VILA DAS LAVRAS ELEVADA A CATEGORIA DE CIDADE
(Extraído do Livro “Lavras da mangabeira – Um Marco Histórico” de Rejane Monteiro Augusto Gonçalves).

A Vila das Lavras foi elevada à categoria de cidade, em dia 20 de agosto de 1884, agora Lavras da Mangabeira, por força da Lei nº 2.075. Dois anos depois, em 1886 a 1887, a Câmara, presidida por Joaquim Machado, reúne-se nesse dia para acusar recebimento de um ofício-circular do Presidente da Província, sem saber que a data do ofício, 20 de agosto, seria de suma importância para a história de Lavras. Esse dia foi rotineiro na Vila e na Câmara. Elevada a categoria de Cidade, era um título dado a localidade que passava a sede de Termo, embora a organização continuasse a mesma no tocante a eleição e desempenho do presidente da Câmara, como autoridade maior do Município.
A Câmara funcionava numa casa, na Rua grande, hoje Rua Major Ildefonso, até junho de 1888, quando passou para o pavimento superior da Cadeia Pública. Tinha reuniões trimestrais e a tomada de contas cabia ao procurador que fazia trimestralmente.
A Casa da Câmara, pertencente, a municipalidade, de tijolo, com 3 portas de frente, foi vendida em haste pública e arrematada pelo Cel. Gustavo Augusto Lima, em 1º de julho de 1890. O dinheiro da venda foi utilizado para fazer os acabamentos no edifício da Cadeia.
A composição da Câmara Municipal de 1884 a 1886:

Luiz José Paz Barreto - Presidente
Luiz Leônidas de Lacerda Leite
José Joaquim Machado
Antônio Leite de Oliveira
Antônio Gonçalves da Silva
José Joaquim de Maria Lobo
Joaquim Gonçalves da Costa.

Assumiu:
Luiz Antônio de Santana.

De 1887 a 1889:

Honório Correia Lima - Presidente
Antônio de Oliveira Banhos – Vice-Presidente
Eufrásio Gonçalves da Silva – Presidente em 1889
Vicente Carneiro de Aquino
Luiz Gonçalves de Oliveira
Alexandrino Gonçalves Ferreira
Antônio Gonzaga Ferreira.

Assumiu:
Sabino Correia Lima

Em 1887, Gustavo Augusto Lima, o Coletor das Rendas Provinciais do Município de Lavras da Mangabeira, informa ao Presidente da Província do Ceará, Enéas de Araújo Torreão, o número de habitações ou casas e de edifícios públicos existentes Na cidade, assim especificados:

Habitações ou Casas – 119 casas de diversos proprietários em cujo número contém oito que são especialmente comerciais. Acham-se 104 habitadas e 15 inabitáveis.
Culto – Uma Igreja Matriz, de São Vicente Ferrer, bem construída e mais ou menos ornada e uma dita de Nossa Senhora do Rosário em começo e em péssimas condições.
Câmara – Uma casa pertencente a Câmara Municipal, em mal estado e sem mobília; uma dita de comércio, bem construída, cujo usufruto pertence à Senhora D. Fideralina Augusto Lima, viúva do Major Ildefonso Correia lima, edificador da mesma, por tempo de 40 anos, de conformidade com as Leis Provinciais nº 1366 de 23 de novembro de 1870 e nº 1749 de 13 de junho de 1876 e consta do contrato com a Câmara que começou esse usufruto em 25 de novembro de 1876.
Um Cemitério – mais ou menos preparado o qual esteve sob o domínio do Revmo. Vigário até 1º de abril último, quando foi entregue a Câmara.
Governo Geral – Uma cadeia (sobrado) feita a custa de socorros públicos no período da seca de 1877-1879, bem construída, com quatro pavimentos térreos dos quais, um que está assoalhado serve de prisão de crime, é fechado com grade de madeira e uma de ferro (janela). Os demais não estão assoalhados ainda, um destes serve de prisão de correção, tendo também, uma grade de madeira e uma de ferro (janela); existe uma de ferro bem fortificada a qual foi acerca de um mês assentada o pavimento maior destinado a prisão do crime, tendo este pavimento duas grades duas grades de ferro; o pavimento superior feito assoalho, constará de um grande salão e dois menores que, concluído, bem serviria para nele funcionar a Câmara Municipal desta Cidade. E finalmente esta obra, que foi bem construída, ao menos não se rebocar de cal as todas as quatros frentes e calçada ao redor, virá arruinar-se com a força dos invernos anuais, se não destruir completamente.
UM PEQUENO AÇUDE – Também feito à custa de socorros públicos, no mesmo período da seca, o qual açude já arrombou duas vezes e ambas foi consertado pó um particular...

Um comentário:

Emerson Monteiro disse...

Belo trabalho, Cristina. Estou aqui ao seu lado, a observar com carinho mais esta produção valiosa das tantas que vens elaborando.

Abraço.