domingo, 29 de julho de 2012

A Rodovia Padre Cícero - Emerson Monteiro


Quando criança e viemos residir em Crato, nas férias de julho retornávamos para passar o mês no sítio em Lavras. Com próxima antecedência, minha mãe encaminhava Lourdes, a fim limpar nossa casa, que ficara fechada no período das ausências. Ela acionava os viventes da propriedade para roçar o mato em volta, consertar paredes e telhas, queimar chifres de boi nas imediações visando espantar as cobras, e varrer e lavar, deixar o ambiente de novo habitável.

Poucos dias adiante, iríamos de jipe, as pessoas da família conduzindo os poucos apetrechos próprios dessas temporadas. Nessa jornada, cruzávamos a Serra de São Pedro, trecho hoje denominado Rodovia Padre Cícero, que avança até Fortaleza, via alternativa aos outros dois caminhos antes existentes, Estrada do Algodão e BR-116. A estrada de rodagem representava, naquela fase, um desafio, uma aventura de percurso. Traçado perigoso, dotada de cortes estreitos nas encostas, dificultosos ao tráfego de dois automóveis, no encontro com outro, e nos deixava avistar lá embaixo os fundos precipícios ao quais olhávamos temerosos, de coração na mão, com um friozinho na barriga.

Desses pontos críticos o mais arriscado era a famosa Curva da Morte, volteio íngreme, sobretudo terror dos caminhoneiros que transportavam gente e carga nas estradas de piçarra. Os motoristas, impreterivelmente, deveriam trabalhar na companhia de outro profissional, o ajudante, pois, nos locais de maior periculosidade, este descia ligeiro e seguia acompanhando o transporte, calçando as rodas traseiras com uma peça de madeira, o cepo, instrumento abençoado, que evitava o retorno do carro nos instantes de falta de freio ou de força no motor.

Vistos cuidados meticulosos, ainda assim acidentes fatais ocorreram no percurso, fixados na paisagem serrana por inúmeras cruzes, a causar apreensão nos transeuntes. 

Em fase posterior, coisa de 20 anos, houve primeiras e importantes reformas, com novo desenho das piores curvas e capeamento asfaltíco, aperfeiçoando o caminho. Nesse tempo, contudo, já íamos menos ao Tatu, e nas idas buscávamos seguir pela Transamazônica, que corta Várzea Alegre e Lavras da Mangabeira.

Nisso, já no atual Governo, se acha aperfeiçoada a Rodovia Padre Cícero, de valiosa economia de quilômetros aos que viajam ao litoral, obra relevante do governo Cid Ferreira Gomes, a beneficiar todo o sul cearense. Quanto ao primeiro trecho, no entanto, de Juazeiro do Norte a Caririaçu, este, em breve, necessitará, com certeza, de maiores aprimoramentos, dada ser crescente a demanda dos veículos, o que reclama renovação da malha asfáltica e revisão no traçado de algumas áreas.       

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Versos e cantorias - Emerson Monteiro

Este final de semana, de 10 a 12 de março de 2012, corresponde à realização, em Crato, do Seminário do Verso Popular em sua terceira edição, que, desta vez, corresponde aos 21 anos de existência da Academia dos Cordelistas do Crato, e consta do programa exposições, painéis, palestras, conferências, homenagens, oficinas de xilogravura e cordéis, minicursos, feiras, mesas redondas, apresentações de trabalhos científicos, sessões de vídeos, recitais, lançamentos de cordéis, posse de novos acadêmicos, apresentações de humor e música regional, numa festa da cultura popular nordestina digna dos melhores encômios.

A coerência cultural com que se criou, no tempo certo de duas décadas passadas, a Academia dos Cordelistas do Crato ora resulta no patrimônio universal dessa literatura, circunscrevendo o âmbito das manifestações artísticas do mundo inteiro qual mérito de registro necessário.

O Nordeste brasileiro preserva suas origens medievais como nenhum outro território deste mundo, enquanto a fundação dessa instituição do verso popular aqui reúne valores exponenciais em grupo de riqueza ímpar. Autores talentosos, de oficina própria e edições que já remontam a casa dos dois milhares, atualizadas fontes da leveza das rimas e do gênero, a fonte primeira da grande literatura em juventude perene.

De particular, noticio, pois, fortes sentimentos da satisfação experimentada nestes momentos do Seminário de Verso Popular do corrente ano. Houve blocos distintos na sede da Academia, no Largo da RFFSA e no SESC - Crato. Ocorreu, concomitante, a distribuição de obras editadas pelo Projeto Livro de Graça na Praça, idealização exitosa do mineiro José Mauro da Costa, pioneiro dessa função de expandir o livro ao povo nos quatro cantos do País, também um dos conferencistas do evento, no domingo à noite. E no sábado à cantoria dos jovens expoentes da atual cantoria, Ismael Pereira e Jonas Bezerra, testemunhas autênticas do menestrel sertanejo, provas inconteste da sapiência humana por meio dessa expressão natural do verso violado.

No decorrer das manifestações, as presenças de Josenir Lacerda, Tranquilino Ripuxado, João do Crato, Mana do Romualdo, Dalinha Catunda, Pedro Costa, Eugênio Dantas, João Nicodemos, Miguel Teles, Abidoral Jamacaru, Jorge Carvalho, Pedro Bandeira, Bastinha, Poeta Nascimento, Maércio Lopes, Ginevaldo, Pedro Ernesto, Luciano Carneiro, Arievaldo, Gildemar, Willian Brito, Anilda Figueiredo, Wiliana, Carlos Henrique, Sandra Alvino, Chico Pedrosa, Maria do Rosário, Higino, Moreira de Acopiara, Ulisses Germano, Seu Zezé, Alexandre Lucas,Vicente, Vandinho Pereira, Aldemá de Morais, Zé Joel, Raul Poeta, Nizete, Manuel Patrício, dentre outros da intelectualidade caririense, razões do sucesso das ações desenvolvidas. Para formar juízo claro da importância do acontecimento, veio dele participar o autor Gonçalo Ferreira da Silva, atual Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Atitudes - Emerson Monteiro

Trabalhar propósitos neste início de ano corresponderá ao planejamento do novo período em formas que melhor signifiquem os ideais do bom viver. Saber traçar programas para o exercício da liberdade. Dominar ao máximo os caprichos do destino através dos meios disponíveis. Fixar as metas do sucesso até onde haja as possibilidades, neste chão comum, através dos métodos dados pela humana sabedoria.

Contudo as tais postulações exigem providência inevitável desse procedimento. São as atitudes. Sim, atitudes que representam a seriedade como encarar os individuais planejamentos. Elaborar planos sofisticados, mirabolantes, raiando por vezes pretensões além das forças, enfraquece a energia dos seus autores.

Dizer isso e imaginar que planejar estabelece metas e objetivos; condiciona itens de sinceridade consigo próprio, semelhante a prometer, empenhar a palavra, com relação aos propósitos estabelecidos. E a tradição dos tempos indica o peso das promessas. Promessa é dívida, qual sempre afirma a população. Simboliza palavra empenhada, enquanto palavra equivale à expressão de quem dela faz uso. Dívida tanto pessoal quanto coletiva. Homem sem palavra é ser inexistente que habita fora da realidade.

Isso de encher o tempo de conversa pelo ar passa distante das produções necessárias e dos resultados práticos. Atitude vale a vida dos propósitos. Escutar isto no princípio deste novo calendário acordará os brios internos da gente, conquanto atenda às vontades formuladas (quem sabe?) décadas atrás. Desejos fortes ainda no berço que agora vêm à luz, neste começo de história.

Bom praticar o planejamento qual norma de respeito para com a verdade dos propósitos firmados dentro de si, a busca dos valores importantes da personalidade valiosa.

Que os objetivos traduzidos nas promessas deste novo ano encontrem respaldo nas atitudes, daqui em frente, que virão facilitar os passos de todos. No instante quando acontecem tais realizações positivas, as portas abrirão de jeito natural e obter-se-ão os frutos da Paz nos corações.